A arte erótica é uma forma de manifestação artística que envolve algum grau de erotismo.
domingo, 22 de maio de 2011
ARTE TUMULAR ERÓTICA

Os admiradores das artes costumam freqüentar museus e galerias onde podem encontrar ensaios, esculturas, pinturas, quadros, artesanatos, enfim, uma miscelâneas fabulosa de obras. Mas algumas são mais intrigantes: experimente visitar o cenário de um funeral.
Cemitérios de todo o mundo são palco de uma variedade artística tão intensa, apesar do lado fúnebre, que nos fazem enxergar a morte com olhos mais atentos ao detalhe, temerosos e apaixonados. Em meio a essa atmosfera de dúvidas e incertezas, rodeada de flores cheirando a despedida, somos rodeados por esculturas feitas em granito, mármore e bronze, e muitas delas são dotadas de uma sensualidade intrigante.
Cenas de nudez são dispostas de forma singular, denotando uma gama de sensações e sentimentos profundos.

Último sorriso

Último Sorriso

Caminhando
Mulheres nuas são cobertas por finos tecidos, sob os quais se deixam notar curvas de sensualidade aflorada, seios e pernas bem delineados, uma certa pureza perante a morte. Um cenário de escancarado flerte entre a vida e a morte, onde a nudez representa um estado de entrega perante o desconhecido, lugar onde não se admitem mantos e máscaras. E no lugar que faz jus à expressão “do pó vieste e ao pó retornarás”, a ausência de roupas é mais do que explicada.

Eterno Repouso

Triste Separação
Rendição é a palavra. Nas faces distribuídas pelo cemitério, nos comovemos pelas expressões de tristeza, depressão, abnegação, súplica, indignação, lamento e angústia. Um estado de inércia e prostração frente à impossibilidade de alterarmos o fato de que nunca conseguiremos vencer a morte.
Para além disso, podemos também viajar por um campo um pouco mais atrativo, que nos mostra uma relação passional entre a vida e a morte. Como opostos se atraindo, a vida se entrega aos braços da morte, numa doce poesia ao estilo shakesperiano. E como em toda relação de entrega, cheia de sentimentos exasperados e profundos, a sensualidade é o prato principal.

A Morte

Vaidade
Nesse mesmo tom de amor suplicante, encontramos uma dessas obras de arte intitulada “Lenda Grega”, no cemitério da Consolação em São Paulo/Brasil, que nos emociona frente ao sofrimento de Orfeu pela morte da amada Eurídice.

Lenda Grega
Um último beijo, um último adeus.

Último Adeus

Último Adeus

Triste Separação
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Caminhos Cruzados - A Arte , a Nudez e a Pornografia

David
O poeta e pintor inglês William Blake afirmou que “a arte jamais poderia existir sem expor a beleza da nudez.” Desde os primórdios dos tempos a nudez pertence à arte, estando presente nos ateliês de artistas clássicos e contemporâneos, assim como está presente em todas as outras vertentes artísticas. O corpo humano é visto como uma obra de arte. E como tal é contemplado. Afinal, é uma notável composição de músculos, uma máquina que reage e funciona à base de emoções. Que sangra, que expressa. Que causa prazer para quem sente e vê, de uma desconcertante (im)perfeição.
Mas antes da admiração, há uma eterna e cansativa discussão acerca do que é arte e do que é pornografia. Discussão errada. Com isso, infelizmente, a retratação da nudez ganhou rótulos, que se tornaram mais importantes do que a própria arte.
Todos sabemos o que é algo pornográfico, não é necessário dizer. A arte pode ser pornográfica, sem dúvida. Mas nem toda pornografia pode ser arte. É, no entanto, delicado determinar o que é ou não arte. Cada um vê a beleza de modo muito particular. Por isso, uma questão mais importante forma-se: é uma boa arte? Por vezes uma mente imatura, ou puritana, execra toda e qualquer manifestação da nudez, sem levar em consideração que não se trata apenas da estética, mas sim do conceito que encarna naquela obra. É preciso enxergar além do que se vê. Isso deixa claro que, em determinadas ocasiões, é uma questão puramente de moralismo, porquanto ofender-se com uma imagem pornográfica é mais conveniente, desqualificando-a como arte.

Satã observando o amor de Adão e Eva
É estranho que algumas pessoas se escandalizem com a exposição dos órgãos genitais, alegando que é algo grotesco e que alude puramente a luxúria, mas não se importam em admirar uma imagem sensual. Ora, a simples sensualidade é tão obscena quanto a pornografia, pois revela o que não está ali, desperta a imaginação, usa a nudez como pano de fundo para uma idéia mais sutil, mas que seduz e convence. Pablo Picasso disse ser “a arte algo perigoso, pois é reveladora”. E não é somente uma arte pornográfica que revela.
Então se esqueça dos rótulos de pornográfico, erótico ou o que o valha. Não é isso o que importa. Independente da maior ou menor exposição do corpo é preciso entender que mais importante é identificar a qualidade artística de um trabalho. Alguns deles não pretendem mesmo ser mais do que apenas o sexo, em uma exposição direta. É a libido em sua forma mais crua e explícita, mas nem por isso deixa de ser arte.

Blue Nude ou Souvenir de Biskra
A famosa escultura de Davi – de Michelangelo – é a mais óbvia e explícita exposição do corpo humano. É pornografia ou é arte? A pergunta soa estúpida, não? A questão é que Davi é uma das mais belas obras a exaltar o corpo humano. É tecnicamente bem feito, é hiper-realista, é inebriante. Uma obra espetacular incontestável do Renascimento que fala conosco por meio da nudez e muito além da nudez. Se for uma boa arte, o que chamará a atenção não será apenas o corpo exposto e sim uma série de impressões e conceitos inerentes a ela. É o que acontece com o bom observador.
O escritor britânico Joseph Conrad disse sabiamente que “o autor escreve apenas metade de um livro. A outra metade fica por conta do leitor”. Creio que tal idéia pode ser aplicada à arte. O observador é uma extensão daquilo que observa, pois é dele a interpretação, independente da intenção do artista. São os conhecimentos e as inferências feitas pelo observador que vão responder a pergunta que realmente deve ser feita: é uma boa arte?

La Bacchante