quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Poesias Eróticas


Reivindicação da arte

A boa, que ao seu amor nada nega

E se lhe entrega com antecipação

Saiba: que não é boa vontade não

Mas talento, o que ele deseja na esfrega.

Mesmo se à velocidade do som

Do sou-tua dela à cópula chega

Não é pressa que o botão dele carrega

Quando às bolas seminais dá vazão.

Se é o amor que primeiro atiça o fogo

Precisa ela depois, para Inverno amparado

De ser dona ainda de um traseiro dotado.

De facto, mais que o fervor no olhar

(Também faz falta) um truque há que usar:

Coxas soberbas, em soberbo jogo.


Bertolt Brecht



Uma mulher

Uma mulher caminha nua pelo quarto

é lenta como a luz daquela estrela

é tão secreta uma mulher que ao vê-la

nua no quarto pouco se sabe dela

a cor da pele, dos pêlos, o cabelo

o modo de pisar, algumas marcas

a curva arredondada de suas ancas

a parte onde a carne é mais branca

uma mulher é feita de mistérios

tudo se esconde: os sonhos, as axilas,a vagina

ela envelhece e esconde uma menina

que permanece onde ela está agora

o homem que descobre uma mulher

será sempre o primeiro a ver a aurora.


Bruna Lombardi


Masturbação


Eis o centro do corpo

o nosso centro

onde os dedos escorregam devagar

e logo tornam onde nesse

centro

os dedos esfregam - corre

me voltam sem cessar

e então são os meus

já os teus dedos

e são meus dedos

já a tua boca

que vai sorvendo os lábios

dessa boca

que manipulo - conduz

o

pensando em tua boca

Ardência funda

planta em movimento

que trepa e fende fundidas

já no tempo

calando o grito nos pulmões da tarde

E todo o corpo

é esse movimento

que trepa e fende fundidas

já no tempo

calando o grito nos pulmões da tarde

E todo o corpo

é esse movimento

em torno

em voltano centro desses lábios

que a febre toma

engrossa

e vai cedendo a pouco e pouco

nos dedos e na palma


Maria Tereza Horta

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